14 de Agosto, 2019

PRESIDENTE DO SINDIASSEIO BUSCA CONSULTORIA DE DELEGADA PARA ROMPER CICLO DE ASSÉDIOS CONTRA MULHERES NO TRABALHO

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Em um universo praticamente dominado por trabalhadores do sexo feminino como é o asseio, conservação, limpeza urbana e zeladoria, buscar combater o assédio é uma luta semelhante entre Davi contra Golias. É por isso que a presidente do Sindiasseio Vale dos Sinos, Maria Elisabete Machado da Silva, esteve na tarde desta terça-feira (13) conversando com a delegada de Polícia Civil Cleusa Tânia de Oliveira Spinato, da Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e titular da Delegacia de Polícia de São Sebastião do Caí. O objetivo do encontro, que ocorreu no município do Vale do Caí, foi justamente encontrar alternativas para romper o ciclo de assédios contra mulheres no trabalho. “Estamos nas vésperas da Convenção Coletiva do Trabalho de 2020, por isso procuramos a delegada Cleusa. Nas convenções anteriores sempre buscamos defender os direitos dos trabalhadores baseados nas leis como um todo. Nosso objetivo agora é incluir algo mais pontual em defesa da mulher. Tentar romper ciclos de assédios contra elas, principalmente no local de trabalho”, comenta a presidente.
O encontro serviu ainda para esclarecer dúvidas e elaborar ideias para nova CCT, por isso a opinião de quem vive o dia a dia do sistema é importante neste processo. A fala da delegada Cleusa Spinato chama a atenção justamente para o fato de os casos de violência contra a mulher serem um problema social e precisa ser visto como tal. “Precisamos evoluir ainda como sociedade. Ser mulher é fator de risco em nosso país. O ciclo da violência contra mulher vai da agressão verbal até os atos mais graves de ameaça, lesão corporal até o feminicídio”, relata a delegada.
A titular da DEAM parabenizou a atitude do Sindiasseio e sugeriu algumas ações na busca de prevenções contra os atos de assédio. “O atendimento psicológico para as vítimas é fundamental. A pressão que essas mulheres sofrem são enormes. Importante ainda afastar o agressor da vítima”, diz a delegada. Palestra de conscientização também são medidas importantes neste processo. Segundo a delegada, as rodas de conversas muitas vezes encorajam as agredidas. A presidente do Sindiasseio diz que o assunto em torno do tema está apenas iniciando, até porque, segundo dados do Tribunal de Justiça, em apenas sete meses de 2019, mais de 206 tentativas de feminicidio foram registrado no Estado, 58 mulheres acabaram morrendo. A pauta é extensa e não se esgota nas primeiras reuniões. “Queremos avançar muito neste tema. Sabemos das barreiras enfrentadas pelas vítimas. Do assédio velado dentro da categoria. Do tema feminicidio que ronda nossa sociedade. Conversar com uma delegada experiente no assunto, como é a delegada Cleusa, é justamente para ampliar nossa visão. Buscar alternativas na defesa das nossas trabalhadoras mulheres. Seja no trabalho ou em casa”.